2017



A noite estava escura e o frio fazia jus ao dezembro invernal dos últimos dias do ano. A expectativa era de festa, mas escolhemos o conforto. Deixámos de lado o glamour, brilho e exaltação e celebramos a entrada no novo ano com a simplicidade honesta de quem não deseja estar senão com a melhor companhia. Fizemos crepes, acendemos velas que sopram faíscas e da janela embaciada vimos o céu encher-se de pequenos pontos luminosos, que logo desapareceriam na escuridão.

De súbito era Janeiro e, pela primeira vez, comecei a sentir uma ligeira nostalgia pelos meses que tinha deixado para trás, pela felicidade doce e satisfatória com que vivi a maioria dos meus dias em 2016. Mas ali estava eu, ainda feliz, ainda na melhor companhia.

Este pensamento deixou-me de imediato com vontade de pensar no futuro. Na minha mente ressoavam as palavras consistência e experiências. Conceitos quase contraditórios, mas que retratam tão bem a minha ideia de equilíbrio. Seguindo a minha intuição, considerei essas palavras minhas e declarei-as como manifesto daquilo que desejava para os próximos meses.