2 0 1 7 em duas palavras

Detalhe do Beethoven Frieze de Klimt


A noite estava escura e o frio fazia jus ao dezembro invernal dos últimos dias do ano. A expectativa era de festa, mas escolhemos o conforto. Deixámos de lado o glamour, brilho e exaltação e celebramos a entrada no novo ano com a simplicidade honesta de quem não deseja estar senão com a melhor companhia. Fizemos crepes, acendemos velas que sopram faíscas e da janela embaciada vimos o céu encher-se de pequenos pontos luminosos que logo desapareceriam na escuridão.

De súbito era Janeiro e, pela primeira vez, comecei a sentir uma ligeira nostalgia pelos meses que tinha deixado para trás, pela felicidade doce e satisfatória com que vivi a maioria dos meus dias em 2016. Mas ali estava eu, ainda feliz, ainda na melhor companhia, ainda a concretizar cada um dos meus desejos. 

Este pensamento deixou-me de imediato com vontade de pensar no futuro. Na minha mente ressoavam as palavras consistência e experiências. Conceitos quase contraditórios, mas que retratam tão bem a minha ideia de equilíbrio. Seguindo a minha intuição, considerei essas palavras minhas e declarei-as como manifesto daquilo que desejava para os próximos meses.

Consistência

“Embora procure uma situação instável aborrece-se mal a encontra”, lê-se num velho papel que descreve o significado do meu nome. Nunca me deixei influenciar pela leitura das estrelas ou pelas linhas da mão, prefiro antes apreciar o que me rodeia sem o tentar interpretar, mas por alguma razão, essa frase justifica o meu desencanto a longo prazo. Neste ano quero poder contrariar essa tendência e encontrar gratidão e satisfação nos rituais do dia-a-dia, no prazer da rotina, naqueles pequenos momentos ao longo das horas que completam o passar do tempo.

Experiências

Algumas das melhores memórias de 2016 aconteceram fora do círculo invisível que delimita o meu conforto. O workshop de Haiku que fiz naquele sábado, a viagem de comboio pela Aústria, os dias que passei em França numa casa construída na I Guerra Mundial. Este ano quero voltar a sair à descoberta e a desafiar a comodidade. Ver um filme que nunca vi num espaço onde nunca fui. Experimentar uma comida nova, ler um escritor que desconheço, ouvir músicas diferentes. 


Trocámos o seis pelo sete, a lua pelo sol e dezembro por janeiro, mas a mudança está em nós. Porque um ano não é mais do que um conjunto de dias cheios de novas possibilidades.

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